Caso Clínico
Reconstrução nasal: estudo do carcinoma basocelular com retalho frontal paramediano
Dr. Isttayner Magalhães, Dr. Domingos Quintella, Dr. Adrián Corbalán
Revista Argentina de Cirugía Plástica 2025;(04):0174-0177
A reconstrução de defeitos cirúrgicos causados pela remoção de tumores nasais representa um desafio para os cirurgiões plásticos. A reconstrução nasal, uma preocupação dos cirurgiões desde a antiguidade, não visa reparar precisamente a anatomia ausente, mas sim criar uma aparência semelhante à parte afetada. Devido à cor e textura adequadas da pele na região frontal, esta área é reconhecida como a melhor área doadora para cobertura nasal.
Palabras clave: : reconstrução nasal, carcinoma basocelular, retalho frontal paramediano, cirurgia plástica.
The reconstruction of surgical defects caused by the removal of nasal tumors represents a challenge for plastic surgeons. Nasal reconstruction, a concern of surgeons since ancient times, does not seek to precisely replicate the missing anatomy, but rather to create an appearance similar to the affected part. Due to the appropriate color and texture of the skin in the frontal region, this area is recognized as the best donor area for nasal coverage.
Keywords: nasal reconstruction, basal cell carcinoma, paramedian frontal flap, plastic surgery.
Los autores declaran no poseer conflictos de intereses.
Fuente de información Sociedad Argentina de Cirugía Plástica, Estética y Reparadora. Para solicitudes de reimpresión a Revista Argentina de Cirugía Plástica hacer click aquí.
Recibido 2025-10-03 | Aceptado 2025-11-14 | Publicado 2025-11-28
Introdução
A história da reconstrução nasal anda de mãos dadas com a cirurgia plástica, sendo um dos procedimentos mais antigos conhecidos. A transferência de um retalho frontal para reconstrução nasal é pioneira entre os procedimentos subsequentes1.
O tecido perdido deve ser reposto com o mesmo tamanho e formato de antes da lesão; caso contrário, os pontos de referência nasais residuais serão distorcidos, empurrados ou puxados pelo tecido de substituição, resultando em constrição das vias aéreas ou mau posicionamento nasal. A região frontal, devido à sua cor e textura de pele adequadas, é reconhecida como uma excelente área doadora para cobertura nasal2,3.
Devido à importância social que foi atribuída ao nariz, sua perda parcial ou total (amputação), ao longo de todos os períodos da história da humanidade, foi sofrida como um estigma difícil de suportar, razão pela qual se pode deduzir que sua reparação tem sido uma busca permanente desde o início da civilização4.
Burget e Menick introduziram o conceito de unidades estéticas do nariz, estabelecendo que as incisões devem ser localizadas nos limites dessas unidades. Se a ressecção exigir mais de um terço de uma unidade, ela deve ser realizada completamente e reconstruída 5,6.
Em 1597, Gaspare Tagliacozzi (1545-1599) publicou a primeira edição de seu livro “De Curtorum Chirurgia Per Insitionem” (Sobre a Cirurgia da Mutilação por Enxerto). Ele era muito famoso em toda a Europa por suas reconstruções nasais. O método consistia em separar um retalho de pele do braço e fixá-lo ao nariz. Ele imobilizou o membro doador com um dispositivo de couro que segurava a cabeça e a mão, mantendo-o preso ao nariz mutilado até que estivesse completamente fixado. Em seguida, seccionou o pedículo e separou o braço do nariz. Seu objetivo era restaurar a forma e, se possível, a harmonia de um rosto mutilado7.
Outro conceito importante que levou a melhores resultados na cirurgia reconstrutiva foi o compromisso, na confecção de retalhos locais, de realizar incisões ao longo das bordas das regiões, para aumentar a camuflagem das cicatrizes8,9.
El objetivo de este trabajo es analizar una opción quirúrgica para la reconstrucción nasal compleja después de la resección de un carcinoma basocelular localmente avanzado.
Caso clínico
Paciente de 71 anos, com histórico de exposição solar prolongada e tabagismo, desenvolveu lesão ulcerada no dorso nasal há 6 meses, com placa eritematosa que posteriormente coalesceu e ulcerou no centro. A biópsia nasal revelou carcinoma basocelular. A rinoscopia não revelou lesões aparentes.
Ele foi encaminhado ao Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Federal dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro (Fotos 1 a 4).
A cirurgia foi realizada sob anestesia local, com exame histopatológico intraoperatório de imagem congelada mostrando margens livres após a excisão do tumor. A lesão foi resseada sem afetar as estruturas nasais subjacentes (Fotos 5 y 6).
A cobertura foi realizada com retalho paramediano da testa e síntese primária na área doadora, permitindo que o pequeno defeito remanescente na testa cicatrizasse por segunda intenção (Fotos 7, 8 y 9).
O retalho paramediano frontal baseia-se na artéria supratroclear e é um retalho arterial. Seu comprimento varia de acordo com a necessidade de cobertura e seu pedículo é estreito em relação ao ápice. Sua largura média é de 1,2 a 1,5 cm. Seu formato varia de vertical a oblíquo, em forma de gaivota (Millard) ou mesmo vertical (Gilles) (Foto 10).
O paciente está atualmente realizando suas atividades habituais e está satisfeito com os resultados obtidos.
Discussão
Defeitos nas estruturas de suporte do nariz são raros. Na grande maioria dos casos, as lesões estão associadas a perda significativa de pele, tornando os retalhos paramedianos ou frontais extremamente úteis no processo de reconstrução10,11.
Portanto, em uma reconstrução mais extensa, se não houver condições ideais para restaurar toda a cobertura cutânea na mesma intervenção cirúrgica, o reparo deve ser postergado para uma fase posterior, podendo necessitar de materiais sintéticos como matriz dérmica ou uso de expansores para utilização da própria cobertura cutânea do paciente12.
Alguns autores recomendam que enxertos ósseos ou de cartilagem, quando necessários, sejam realizados em um segundo estágio cirúrgico, após a estabilização adequada dos tecidos moles. Enquanto isso, outros autores preferem criar a estrutura cartilaginosa e a cobertura cutânea necessárias em um único procedimento cirúrgico para evitar o colapso dos tecidos moles e a contração retardada13,14.
Conclusão
Uma reconstrução nasal bem planejada e estruturada é fundamental para um resultado satisfatório em termos de estética e função nasal.
Recomenda-se trabalhar com uma equipe multidisciplinar para evitar sequelas funcionais em grandes defeitos e avaliar a peça cirúrgica. Obter margens cirúrgicas livres é essencial para prevenir recorrências. Para isso, é preferível contar com um departamento de patologia especializado nessas áreas. É aconselhável realizar a cobertura primária após a ressecção.
Para desenvolver o plano cirúrgico, também devem ser avaliadas as fontes de cartilagem acessória, sejam elas de outros locais doadores ou de cartilagem cadavérica, matriz dérmica e retalhos cutâneos apropriados para o defeito, desde enxertos de pele livre até retalhos nasolabiais ou mesmo da região média da testa.
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Etiquetas
: reconstrução nasal, carcinoma basocelular, retalho frontal paramediano, cirurgia plástica
Tags
nasal reconstruction, basal cell carcinoma, paramedian frontal flap, plastic surgery

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